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domingo, 19 de fevereiro de 2017

COLINA ESCARLATE (2015): Resenha de filme

Colina Escarlate (Crimson Peak, 2015) é um filme de terror com uma pegada bem gótica, ambientado nos Estados Unidos e na Inglaterra do final do século 19. O baronete inglês decadente e arruinado Thomas Sharpe busca investidores para construir uma escavadeira e ampliar a exploração de argila vermelha em sua propriedade.

Ao chegar aos Estados Unidos, ele apresenta seus planos ao milionário Carter Cushing, que rejeita os planos. Mas ele recorre a um plano B e decide seduzir a filha do investidor, a bela Edith Cushing, uma aspirante a escritora de histórias góticas.

Carter Cushing descobre os planos de Sharpe e lhe dá um cheque para que ele suma e deixe sua filha em paz. Mas o velho milionário é assassinado e o baronete inglês prossegue com seus planos de seduzir Edith, casando-se com ela.

Edith é então levada para morar junto com Sharpe e sua irmã, em sua mansão, na chamada Colina Escarlate. A colina leva esse nome porque está em cima de uma grande jazida de argila vermelha.

Já a mansão é uma velha casa em ruínas, que está afundando na lama vermelha. O próprio local, a velha mansão vitoriana, um clichê do terror, já é assustador em si. A opção do roteirista/diretor Guillermo del Toro de situá-la sobre uma mina de argila vermelha torna o ambiente ainda mais dark, uma vez que a casa e toda a neve que cobre o terreno da mansão ficam manchadas de cor de sangue.

O vermelho aliás está presente também nos fantasmas que Edith vê pela velha casa. As aparições fantasmagóricas, que aparecem como se fossem corpos em decomposição, são todas vermelhas (e relativamente assustadoras).

A história toda se desenvolve em torno de um mistério. Que segredo guardam os irmãos Sharpe? Para que os fantasmas querem alertar Edith?

No meio do filme, já dá para sacar mais ou menos do que trata o mistério, então não é nada muito elaborado. Então, isso acaba sendo um ponto fraco do filme.

Outro ponto negativo é que o filme, apesar de usar vários recursos para torná-lo mais sombrio, não dá muito medo.

Devo dizer que não tenho muita paciência para filmes sobre fantasmas que aparecem para pedir ajuda ou para auxiliar na resolução de algum mistério. Para mim, esse é um dos piores clichês que um filme de terror poderia apresentar. Justamente, por isso, apesar de ser muito bem produzido, não gostei muito do filme.

De zero a 10, nota 6,5.



DADOS DO FILME
Título original: Crimson Peak
Subgênero: Fantasmas/Mistério
Direção: Guillermo del Toro
Ano: 2015
País: EUA/Canadá
Duração: 119 min


quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

SLEEPING BEAUTIES, novo romance de Stephen King, sairá em outubro

Stephen King já tem um novo romance pronto e o livro deverá ser publicado em outubro deste ano. Sleeping Beauties é uma história de suspense sobrenatural escrita em parceria com seu filho Owen King.

A ideia da história surgiu há dois anos e partiu de Owen, que perguntou ao pai o que aconteceria se todas as mulheres do mundo simplesmente caíssem num sono profundo.

Owen King é autor de um romance, Double Feature (2013), e duas coletâneas de contos: We're All in this Together (2005) e Who Can Save Us Now?: Brand-New Superheroes and Their Amazing (Short) Stories (2008).

É a primeira colaboração de King com seu filho mais novo. O mestre do terror já escreveu dois romances com Peter Straub (Talismã, de 1984, e A Casa Negra, de 2001), livro de crônicas sobre beisebol com Stewart O'Nan (Faithful, de 2004), uma novela com O'Nan (A Face in the Crowd, de 2012) e dois contos com seu outro filho, Joe Hill (Throttle, de 2009, e In the Tall Grass , de 2012).

King também está escrevendo uma novela (conto mais longo) com o editor da Cemetery Dance, editora especializada em terror que publica alguns trabalhos de King, Richard Chizmar.





SENDERO (2015): Resenha de filme

O filme chileno Sendero (2015) é um daqueles filmes cuja premissa você já viu em outras dezenas de produções de terror. Trata-se de um grupo de amigos que decidem viajar de carro para algum lugar ermo e, no meio do caminho, acabam encontrando com psicopatas que fazem de tudo para matá-los e torturá-los.

De uma forma geral, achei o filme bem fraco. Os atores até trabalham bem, mas a direção, roteiro e edição não ajudam muito. O roteiro, como já disse, não foge daquilo que se espera de um filme de jovens viajantes perseguidos por psicopatas em um lugar isolado. Você pode até ter boa vontade e assistir ao filme até o fim, mas com certeza não terá nenhuma surpresa.

A construção dos personagens também é bastante fraca. No mesmo dia (ou dia seguinte) em que os jovens são capturados, uma das moças cativas (cheia de confiança!) faz jogo psicológico com os sequestradores e consegue fazê-los brigar entre si. Uma situação um tanto esdrúxula e pouco provável. Diante do estresse de acabar de ser sequestrada, uma moça que estava cheia de medo até pouco tempo dificilmente faria algo assim, com medo de sofrer mais violência.

Em relação à direção do filme, me parece que não houve muita preocupação em se fazer um filme profissional. Apesar de não ser um found footage (esse é um ponto positivo), as filmagens e tomadas são quase tão amadoras quanto se fosse.

Mas o ponto mais fraco do filme é a edição. As cenas não tem muita continuidade. Em uma das cenas, por exemplo, um casal consegue fugir dos sequestradores e encontram um camponês para o qual pedem ajuda. Mas o camponês é cúmplice dos sequestradores e dá uma pancada com a pá na perna de um dos jovens.

O jovem então se desequilibra e o revólver que está com ele cai no chão. O jovem parece sair correndo em uma direção diferente da moça, o camponês pega o revólver que está no chão e ele atira. Mas quando ele atira, a arma que está na mão dele é uma pistola e não um revólver. A cena é cortada e entra uma outra sequência de dentro da casa dos sequestradores. Quando a cena da fuga retorna, os dois jovens estão escondidos atrás de uma árvore. Como os dois conseguiram fugir tão rápido do camponês? Os dois não correram para direções diferentes? Afinal, o que aconteceu com o tiro que o camponês deu? O camponês não os viu se escondendo atrás da árvore?

Enfim, há outras cenas com o desenrolar meio esquisito.

Só aconselho o filme para quem gosta muito de slasher ou para quem curte gore. Sim, o filme é forte no gore, tem algumas cenas bem sanguinárias mesmo.

De zero a 10, nota 4,5.



DADOS DO FILME
Título original: Sendero
Direção: Lucio A. Rojas
Ano: 2015
País: Chile
Duração: 85 minutos

domingo, 12 de fevereiro de 2017

O DESPERTAR (2011): Resenha de filme

O Despertar (The Awakening, 2011) é mais um filme de fantasmas, envolvendo um cientista que tenta desmascarar videntes e médiuns charlatães mas acaba tendo um encontro com o sobrenatural. Na Inglaterra do pós-Primeira Guerra Mundial, Florence Cathcart, a mulher que desmascara os charlatães, é convidada para investigar as aparições do fantasma de uma criança que está apavorando a todos em um internato de meninos.

Inclinada a não aceitar o trabalho, ela acaba sendo convencida pelo professor de história da escola, um veterano da Primeira Guerra, assim como o finado namorado de Florence.

Inicialmente, após uma rápida investigação, Florence descobre que alguns alunos e um dos professores estão pregando peças em outros estudantes para assustá-los. No entanto, antes de deixar o internato, localizado em uma antiga mansão familiar, Florence começa a ter experiências sobrenaturais, que a fazem questionar sua sanidade e suas crenças materialistas.

O Despertar é um clássico filme de fantasma cuja história precisa ser desvendada para que ele descanse em paz, como milhares de outros que foram produzidos nas décadas de 90 e 2000. O filme abusa de clichês do gênero e lança mão de alguns jump scares (recurso em que o espectador se assusta com uma aparição repentina).

O que eu achei interessante nesse filme é que o passado da protagonista é mais importante do que o passado do fantasma cujo mistério ela busca solucionar.

O filme é muito bem produzido mas não traz grandes surpresas ou inovações para o cinema de terror. Enfim, é um bom passatempo mas não passa disso.

No final, no entanto, o espectador fica com uma grande dúvida. Não se sabe se um dos personagens está vivo ou morto. Não vou dizer qual é, porque seria um grande spoiler.

De zero a 10, nota 6,5.



DADOS DO FILME:
Subgêneros: Fantasmas/Mistério
Título original: The Awakening
Direção: Nick Murphy
Ano: 2011
País: Reino Unido
Duração: 102 minutos

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

LUA DE MEL (2015): Resenha de filme

Os filmes de terror latinoamericanos têm me surpreendido bastante com sua qualidade e seus enredos bem construídos. Fico feliz pelo Netflix dar essa oportunidade às produções do nosso continente se mostrarem. Mas fico mais feliz ainda pela chance de conhecer essas películas de nossos hermanos.

Lua de Mel (Luna de Miel, 2015) é uma excelente produção de terror psicológico/gore mexicana, do diretor Diego Cohen. O médico Jorge Toledo é um psicopata que fica obcecado por uma mulher que sempre passa correndo em frente à sua casa.

Ele passa a regular sua vida em função desse encontro com a moça. Suas saídas para tirar o lixo de casa e para fazer compras na mercearia são reguladas pelo horário em que a vizinha passa.

Aos poucos, Jorge cria coragem e aborda a moça, Isabel. Só tem um problema: Jorge descobre que ela é casada.

Sua mente doentia então elabora um plano. Ele vai sequestrar a moça e fazê-la casar-se com ele à força. Mas até que ela se convença disso, ele precisa mantê-la sob rédeas curtas, o que significa amarrá-la, acorrentá-la, sedá-la e eletrocutá-la com uma coleira de choque.

O filme é brutal e visualmente muito perturbador. O arsenal de torturas de Jorge é interminável e há cenas em que você fica com vontade de vomitar (como a que ele descarna os dedos de uma das mãos de Isabel).

Jorge é um personagem muito bem construído e o ator, Hector Kotsifakis dá um show.

Lua de Mel é uma mistura de Encaixotando Helena (Boxing Helena, 1993), O Albergue (Hostel, 2005) e Doce Vingança (I Spit in your Grave, 2010).  Altamente recomendável.

De zero a 10, nota 8.



DADOS DO FILME:
Subgêneros: Terror psicológico/Gore
Título original: Luna de Miel
Direção: Diego Cohen
Ano: 2015
País: México
Duração: 96 min

domingo, 5 de fevereiro de 2017

A BRUXA (2015): Resenha de filme

A Bruxa (The Witch - A New England Folktale, 2015) é um filme que eu já estava querendo ver há muito tempo, mas como não fui vê-lo no cinema, só consegui ter acesso a ele recentemente, depois que ele entrou no catálogo do Telecine Play. Isso é apenas para explicar porque a demora em publicar uma resenha sobre esse filme, que foi uma das produções de terror mais comentadas do ano passado (quando entrou no circuito comercial brasileiro).

O filme, como seu próprio subtítulo em inglês já mostra, é uma homenagem do roteirista/diretor Robert Eggers, às lendas de bruxas que povoam o imaginário da Nova Inglaterra (primeira região a ser povoada por ingleses nos Estados Unidos) desde o século 17.

Nos créditos finais do filme, por exemplo, Eggers afirma que o filme foi baseado em várias histórias folclóricas norte-americanas e em casos reais de suposta bruxaria. Muitos dos diálogos do filme, segundo ele, se basearam em diálogos verdadeiros recolhidos de antigos processos legais envolvendo bruxaria.

Nos primórdios da colonização inglesa dos Estados Unidos, na década de 1930, uma família ultrarreligiosa é expulsa de seu assentamento, por desavenças com a igreja local. Pai, mãe e seus filhos são então obrigados a sobreviverem em uma fazenda, longe de outros colonos europeus.

Mas, algum tempo depois, o filho mais novo do casal, um bebê de poucas semanas de vida desaparece enquanto brincava com a filha mais velha. A partir daí, tudo começa a dar muito errado para a família. A colheita vai mal, a família se fragmenta e outros desaparecimentos e mortes se sucedem.

A Bruxa é um filme bem paradão para os padrões do terror. Não espere grandes sustos, suspense ou sangue escorrendo. Tampouco espere ver monstros. E nem dê muito crédito à afirmação de Stephen King de que o filme o assustou demais. Há, sim, uma bruxa que faz umas aparições medonhas. Tem um bode preto (Black Phillip) que é meio assustador. E o demônio tem uma breve participação.

Mas o maior trunfo do filme é que ele tem uma história bem diferente e bem construída, que foge um pouco dos clichês do gênero.

O espectador que gosta de tentar adivinhar o final do filme provavelmente vai se frustrar, porque não é possível saber para onde a trama vai levá-lo (o que é ótimo). O roteirista deixa todas as possibilidades em aberto e o espectador percebe que, já quase no final do filme, ainda não entende muito bem onde o autor quer chegar com aquela história. E essa estratégia de Eggers é genial.

Gostei bastante da forma como filme terminou, mas a cena final é completamente desnecessária e, ao meu ver, extremamente boba. A Bruxa poderia tranquilamente se encerrar na cena anterior. Ah, uma curiosidade. O filme é produzido pelo brasileiro Rodrigo Teixeira. De zero a 10, nota 8,5.



DADOS DO FILME:
Título original: The Witch - A New England Folktale
Subgêneros: Sobrenatural/Bruxas/Fanatismo religioso
Direção: Robert Eggers
Ano: 2015
País: EUA/Canadá/Brasil/Reino Unido
Duração: 92 min.







quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

POKER COM O DIABO, de Ítalo Guimarães: Resenha de livro

Poker com o Diabo, de Ítalo Guimarães, foi publicado em 2016 pela Editora Garcia. Trata-se de um drama sombrio, que envolve terror com crítica social e julgamentos morais (que carregam uma forte percepção pessoal do narrador da história). A premissa não é nova.

Assim como em clássicos da língua portuguesa Auto da Barca do Inferno (obra em que o autor diz ter se baseado) e O Auto da Compadecida, almas são apresentadas a um juiz sobrenatural (no caso do livro de Ítalo, o diabo) para serem julgadas por suas ações durante a vida.

No caso de Poker com o Diabo, o príncipe das trevas convida cinco almas que já estão no inferno para o desafiarem em partidas de pôquer de um-contra-um. Quem vencê-lo na partida poderá deixar o inferno e ir para o céu. Quem perder passará a eternidade sendo punido ainda de forma mais agonizante.

A própria ideia de jogar (cartas ou não) com o demônio não é nova, tendo sido abordada em inúmeras ocasiões na cultura popular (em músicas, filmes e seriados).

O jogo de pôquer imaginado por Ítalo Guimarães, no entanto, não é aleatório e os jogadores não podem contar com a sorte. As cartas são boas ou ruins dependendo de se a pessoa foi boa ou ruim em vida. Logo, o jogo é apenas uma desculpa para que o diabo se divirta às custas daquelas almas.

Apesar da história ficar um pouco a dever por lidar com muitos clichês, como o "jogo com o diabo", um juízo moral pouco convincente e uma escolha não tão boa de personagens (o agiota, a aproveitadora, a parteira que aborta, o pastor cristão ambicioso e um policial), sua narrativa é muito boa.

A história flui muito bem e, no final, Ítalo consegue trazer um drama pessoa interessante para coroar seu conto e se redimir um pouco dos clichês utilizados ao longo do livro. É possível ver que Ítalo tem talento para contar uma boa história.

Apesar de ser um texto que não tem o terror como o ingrediente principal (mas, sim a crítica social), há várias cenas macabras que fazem qualquer fã do horror se deliciar. A própria ideia de jogar pela redenção ou pela agonia eterna dão medo em qualquer um.

Outra coisa que eu achei interessante é a ideia de usar a história para explicar o jogo de pôquer para quem não entende nada do jogo. Antes da história, há uma pequena introdução com as regras.

Além disso, ele utiliza as figuras de cartas para complementar seu texto, em vez de apenas ilustrar. Em vez de dizer que a carta apresenta é um ás de espadas, ele mostra apenas a figura. Isso torna o livro mais fácil de ser livro, principalmente para quem, como eu, tem apenas uma ligeira ideia do que seja pôquer ou que não entenda nada disso.

Leitura recomendável!