QUANDO O MAL TEM UM NOME, de Glau Kemp: Um olhar sobre o livro

Quando o Mal Tem um Nome é o romance de estreia de Glau Kemp, lançado exclusivamente como e-book em novembro do ano passado. Desde seu lançamento, o livro tem figurado entre os mais vendidos de terror da livraria virtual Amazon e conseguido muitas avaliações positivas.

Quando uma mulher, que já é mãe de dois meninos, descobre que o bebê em seu ventre não é uma menina, como ela gostaria, ela decide fazer o inimaginável. Recorrendo a um ritual de magia negra, ela consegue mudar o sexo do feto, mas terá que pagar um preço por causa disso.

O livro é ambientado na cidade de Aparecida, o centro da fé católica no país e o berço da devoção à padroeira do país, Nossa Senhora Aparecida. Logo, é de se imaginar que a santa terá um papel importante na trama. Ela até aparece ao longo de todo o livro, mas apenas como uma figurante.

O papel principal é designado ao Mal. Mas não espere encontrar demônios ou pessoas possuídas vomitando gosma verde e entortando pescoço. O Mal que aparece nas páginas do romance de Glau Kemp é um mal difuso, não necessariamente personificado.

Aliás, as piores maldades do livro são provocadas pelos seres humanos, em seu livre-arbítrio, sem qualquer influência sobrenatural maligna. Podemos perceber várias questões sociais sendo abordadas no livro, como a submissão da mulher, a violência doméstica e a opressão religiosa. Essas questões, aliás, são mais assustadoras do que o Mal sobrenatural retratado no livro (sim, ele está no livro e também é um pouco assustador).



Quando o Mal Tem um Nome é, na verdade, um romance separado em três grandes partes que podem ser considerados quase como histórias separadas. A primeira parte é a do ritual propriamente dito, que dá origem a todo a maldade retratada no livro, e a infância do bebê.

Na segunda parte, a criança, Maria Clara, já cresceu e está em sua adolescência, tendo que lidar com uma família opressiva, um complexo de culpa e uma paixão adolescente.

A terceira e última parte, é ambientada num convento e essa é a parte mais assustadora da história. Não vou antecipar nada sob o risco de dar spoilers.

O livro é bem curto, o equivalente a 170 páginas (na contagem da Amazon). A história é boa e poderia ser melhor explorada em cada uma das três partes, principalmente a parte do convento. Algumas cenas também poderiam ser um pouco mais extensas, para causar maior impacto ao leitor.

De uma forma geral, a história é bem interessante e a escrita de Glau Kemp flui muito bem. Sugiro ficar de olho nesse nome, que ainda dará muito o que falar no cenário de terror nacional.


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